O consórcio liderado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) foi selecionado para apoiar o Ministério de Minas e Energia (MME) na realização de um estudo voltado a apoiar o Governo na formulação de diretrizes, metas e instrumentos que orientem a elaboração da Estratégia Nacional de Terras Raras. A iniciativa integra o projeto “Mineração para a Transição Energética (MET): Garantindo um fornecimento sustentável de minerais críticos para o avanço do desenvolvimento regional”, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O consórcio é composto pelo CEBRI, a consultoria Vallya e especialistas e conta com o apoio do BMA Advogados.
As terras raras desempenham um papel fundamental em diversas aplicações tecnológicas, especialmente na transição energética, sendo empregadas na fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos e geradores de turbinas eólicas. Apesar de possuir a 2ª maior reserva mundial deste mineral, o Brasil ainda tem produção incipiente e depende de refino externo.
Dados do estudo do CEBRI sobre minerais críticos (ver abaixo) mostram que as reservas estimadas do Brasil são de cerca de 21 milhões de toneladas, enquanto a demanda por terras raras para a transição energética brasileira deve alcançar 12,8 mil toneladas até 2050. Num contexto de alta concentração do mercado global de terras raras, de aumento da demanda e de posição estratégica do Brasil como potencial supridor, o estudo para o MME tem como objetivo subsidiar a construção de políticas para o desenvolvimento do Plano Nacional de terras raras no Brasil, alinhadas às prioridades do país, às demandas da transição energética e às agendas ambientais e industriais.
Como resultado, será entregue ao Governo Federal um relatório técnico que reunirá o mapeamento da oferta, a avaliação da demanda e dos setores industriais e segmentos prioritários da cadeia de valor, além de orientações em sustentabilidade, propostas de governança e monitoramento e recomendações preliminares para a Estratégia Nacional. A iniciativa reflete a missão institucional do CEBRI e sua atuação consolidada nas agendas de transição energética, governança mineral e política industrial.
Saiba mais em: https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/mme-inicia-estudos-para-construcao-da-estrategia-nacional-de-terras-raras
O CEBRI tem atuado na agenda de minerais críticos no âmbito do Programa de Transição Energética, por meio do projeto “O papel do Brasil na Agenda Global de Minerais Críticos e Estratégicos”, iniciado em 2024. A iniciativa foi realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o Cenergia (Coppe/UFRJ), o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) e o Serviço Geológico Brasileiro (SGB), com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), patrocínio da BHP e da Vale e apoio institucional do BMA Advogados.
O relatório do projeto, já disponível para leitura, apresenta projeções para a evolução da demanda nacional por minerais associados à transição energética e às metas climáticas brasileiras até 2050, o potencial de oferta desses insumos e os principais desafios à produção, além de identificar oportunidades de investimento e cooperação.
Os resultados demonstram que a transição energética é materialmente intensiva e apontam para o risco de descasamento entre oferta e demanda, criando gargalos nas cadeias produtivas a partir de meados da década de 2030. A sua riqueza mineral posiciona o Brasil como fornecedor potencial de vários minerais em ascensão, porém muitos desses recursos estão subaproveitados ou restritos às etapas iniciais da cadeia.
A reconfiguração das cadeias globais de minerais críticos cria um ambiente favorável para o Brasil avançar na sua produção e para etapas de maior valor agregado. Nesse cenário, o estudo reforça a importância de desenvolver cadeias produtivas domésticas robustas, capazes de atender à demanda interna e posicionar o Brasil como fornecedor confiável e sustentável no mercado global.
Leia o relatório “O papel do Brasil na agenda global de minerais críticos e estratégicos” na íntegra AQUI.