
No dia 25 de fevereiro, o CEBRI, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Instituto Arapyaú, realizou o evento “Rethinking Security Policies in a World of Shared International Risks”. O encontro reuniu Izabella Teixeira, Conselheira Consultiva Internacional do CEBRI, Achim Steiner, Senior Fellow da Oxford Martin School, Lívia Pagotto, Diretora Institucional do Instituto Arapyaú, Maria Netto, Senior Fellow do CEBRI e Diretora Executiva do Instituto Clima e Sociedade, e o Embaixador Roberto Jaguaribe, Conselheiro do CEBRI, para debater como repensar políticas de segurança diante de um cenário em que riscos climáticos, tecnológicos e sanitários intensificam interdependências e desafiam marcos tradicionais.
Partindo do entendimento de que as ameaças contemporâneas ultrapassam fronteiras e não podem ser enfrentadas apenas com instrumentos tradicionais de defesa, o debate propôs uma visão mais abrangente de segurança, incorporando vulnerabilidade, resiliência e adaptação. Mudanças climáticas, transformação digital e o avanço da inteligência artificial foram apontados como fatores que não apenas ampliam riscos existentes, mas redefinem a própria noção de segurança. A disputa por recursos estratégicos, a desinformação, a possibilidade de crises sanitárias e eventos climáticos extremos reforçam a necessidade de respostas cooperativas e multilaterais.
Para Izabella Teixeira, “não podemos avançar na área de defesa, com novas armas e maior poderio militar, sem compreender o papel estratégico dos minerais críticos, da terra, da água e de outros recursos essenciais. Precisamos encontrar formas de nos unir, estabelecer alianças e compreender como a nova cooperação internacional será configurada neste contexto de transição.”
Achim Steiner destacou que o mundo atravessa um momento de inflexão. “Estamos no meio de um processo em que a segurança se tornou a moeda mais poderosa, e, de forma preocupante, isso tem alimentado um profundo sentimento de insegurança.” Segundo ele, os riscos atuais são sistêmicos: “A mudança do clima não é um evento isolado. É um conjunto de fenômenos que desencadeiam efeitos em múltiplos domínios. Não se trata apenas da ciência atmosférica, mas de como lidaremos com as consequências de não agir.”
A transversalidade dos riscos também foi destacada por Maria Netto. “Ao priorizar mais a defesa, podemos nos tornar mais inseguros ao deixar de investir em saúde, educação e produtividade.” Ela ressaltou que crises tecnológicas, como eventuais colapsos associados à inteligência artificial, podem rapidamente se tornar crises sistêmicas, exigindo respostas transfronteiriças.
Sob a perspectiva territorial, Livia Pagotto destacou que “quando a segurança é enquadrada de forma linear e simplificada, ela se torna um campo de disputa”. Para ela, o papel da filantropia é fundamental na construção de pontes entre territórios e formulação estratégica.
Encerrando o debate, Roberto Jaguaribe enfatizou que a governança é elemento central para enfrentar riscos compartilhados. “Há uma crise de governança, internacional e nacional, especialmente nas democracias.” O Embaixador destacou que, na América Latina, o crime organizado representa uma das principais ameaças à segurança, ao lado de desafios climáticos, tecnológicos e sanitários. Para Jaguaribe, soberania e cooperação não são conceitos excludentes: “Precisamos formar coalizões de parceiros interessados e manter o compromisso com o multilateralismo.”
Em um mundo hiperconectado, marcado por interdependências profundas e riscos globais compartilhados, repensar a segurança significa integrar desenvolvimento, democracia, cooperação internacional e sustentabilidade em uma agenda comum.
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