
Nesta segunda-feira (10/8), o CEBRI e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) realizaram o encontro “O Brasil na Agenda dos Minerais Críticos: Prioridades Estratégicas para Competitividade, Investimentos e Desenvolvimento Sustentável”.
À medida que avançam a transição energética e a transformação digital, impulsionadas pela expansão de data centers, baterias e novas tecnologias, cresce também a importância dos minerais críticos para o desenvolvimento econômico e industrial, reforçando a necessidade de uma estratégia nacional para o setor.
Nesse contexto, o evento reuniu representantes do governo, da indústria, de instituições financeiras, da academia e de organizações internacionais para discutir as prioridades do país na agenda de minerais críticos e estratégicos.
A abertura foi conduzida por José Pio Borges, Presidente do Conselho Curador do CEBRI, seguida de um debate com Ilan Goldfajn, Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e Anderson Arruda, Secretário Nacional Substituto do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME).
“O Brasil tem uma oportunidade histórica para transformar seu potencial geológico em capacidade industrial e consolidar-se como um player global em terras raras e minerais críticos.” — José Pio Borges

Durante o debate, Ilan Goldfajn destacou dois fatores que ampliam as oportunidades para a América Latina e, particularmente, para o Brasil: o aumento da demanda global por minerais críticos, impulsionado pelo avanço tecnológico e pela transição energética, e a busca crescente pela diversificação das cadeias de fornecimento em um cenário geopolítico mais fragmentado. Para transformar potencial em capacidade produtiva, os países precisam avançar em áreas como conhecimento, financiamento e regulação.
“Os países precisam avançar em conhecimento, financiamento e regulação para desenvolver a indústria de minerais críticos.” — Ilan Goldfajn
Na sequência, o painel “O Papel do Brasil na Agenda de Minerais Críticos: Prioridades, Parcerias e Próximos Passos”, moderado por Rafaela Guedes, Senior Fellow do CEBRI, reuniu Débora Freire, Secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda; Tomás Serebrisky, Gerente do Setor de Infraestrutura e Energia do BID; José Luis Gordon, Diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES; e Cinthia Rodrigues, Diretora Institucional do Women in Mining Brasil e Gerente de P&D do IBRAM.

A discussão abordou os avanços da agenda brasileira de minerais críticos e os próximos passos para o país. Entre os temas debatidos estiveram políticas públicas, financiamento, agregação de valor e cooperação internacional, além da participação do Brasil em iniciativas regionais, como a IDB LAC Minerals, voltada ao desenvolvimento de cadeias de valor mais seguras, sustentáveis e de maior valor agregado para minerais críticos na América Latina e no Caribe.
O encontro marcou o lançamento do relatório final do estudo de apoio à Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), elaborado para subsidiar o Ministério de Minas e Energia. O trabalho foi conduzido por um consórcio liderado pelo CEBRI, em parceria com a consultoria Vallya, especialistas e com o apoio do BMA Advogados, no âmbito do projeto “Mineração para a Transição Energética”, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com recursos da União Europeia.
O documento reúne diagnósticos e recomendações para apoiar as decisões do governo federal sobre terras raras e fortalecer a posição brasileira nas cadeias globais de maior valor agregado. Entre as metas apresentadas estão alcançar 20% da produção global de terras raras, instalar 40 mil toneladas anuais de capacidade de separação de óxidos e desenvolver capacidade nacional para produzir 5 mil toneladas de ímãs permanentes por ano até 2040.
O estudo está disponível na íntegra em https://cebri.org/br/doc/422/relatorio-final-apoio-a-preparacao-da-estrategia-nacional-de-terras-raras