CEBRI - Crise e governança na Economia Global

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Crise e governança na Economia Global

16/09/2020

NOTA DE CONTEXTO

Crise e governança na Economia Global

Por Anna Jaguaribe, Membro do Conselho Curador do CEBRI

A governança dos processos internacionais está fragilizada e o multilateralismo em crise no momento em que problemas globais se acumulam e para os quais não podemos prescindir da coordenação multilateral. As razões para o enfraquecimento do arcabouço institucional do multilateralismo são diversas e não datam de hoje. Advêm de conflitos políticos assim como de problemas organizacionais inerentes aos mandatos das instituições. Problemas que foram agravados pela enorme mudança na economia global decorrente do deslocamento do eixo manufatureiro do Atlântico ao Pacífico, da emergência de cadeias globais de produção e das novas tecnologias digitais. Processos econômicos e tecnológicos que paulatinamente marginalizam o sistema e minam sua aceitação coletiva como instrumento de governança.

As instituições multilaterais funcionam sob o pressuposto de que é possível encontrar um equilíbrio entre interesse nacional e regra coletiva. Este equilíbrio torna factível a construção de consensos que permitem a regulação e harmonização de processos e disputas internacionais. No que diz respeito à governança econômica e ao comércio, o equilíbrio entre interesse e regra se pauta também pelo pressuposto de uma visão comum sobre a economia global. Isto é, de que práticas econômicas advindas da industrialização e da intensificação do comércio levam a uma convergência de interesses entre as nações e ao reconhecimento de problemas de política econômica sob óticas semelhantes.

Os princípios preconizados pelas instituições multilaterais assim como as regras de conduta coletivas para disputas emanavam destes pressupostos. Estes, por sua vez, eram balizados pela natureza da longa expansão capitalista do pós-guerra. Isto é, o boom econômico das décadas 1950-80 advindo da imensa capacidade de produção e investimento dos Estados Unidos, da expansão econômica europeia e da incorporação ao sistema econômico global dos países recém descolonizados e emergentes.

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