CEBRI - COVID-19, antes e depois algumas reflexões

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COVID-19, antes e depois algumas reflexões

25/04/2020

ARTIGO

COVID-19, antes e depois: algumas reflexões

Por Anna Jaguaribe, Membro do Conselho Curador do CEBRI

Não há dúvida que o COVID-19 pautará a política para as próximas décadas do século, tanto pelas falências na vida pública que veio revelar, como pelas visões de futuro que inspira. A expansão do vírus expôs a precariedade dos sistemas de saúde, a dificuldade em coordenar respostas internacionais frente à difusão de males públicos globais e a falta de credibilidade de muitos governos perante seus cidadãos.

Ao mesmo tempo, o COVID-19 evidencia a resiliência da solidariedade e empatia humana em todas as comunidades afetadas e reafirma a centralidade da ciência, a importância das instituições científicas e de suas comunidades epistêmicas globais.

O jovem século 21 tem sido palco de crises sucessivas: pandemias, crises financeiras e emergências climáticas. Porém, a perda humana e a calamidade econômica e social que acompanha a COVID são sem precedentes na história recente. Como se organizará o mundo frente a este débâcle? Duas versões antipodais ganham terreno. A primeira sustenta que chegamos ao fim da era de contínua e crescente globalização e que passamos a uma acirrada competição entre nações, uma realpolitik entre os mais fortes, marcada pela competição entre modelos de organização social e política simbolizados no dualismo entre os EUA e a China. A segunda antevê um novo impulso de cooperação internacional e de valores humanistas-liberais. O espírito de colaboração internacional levaria à revisão da política isolacionista dos EUA, aumentaria o protagonismo político da União Europeia e expandiria o multilateralismo da China e da Rússia com uma participação internacional mais ativa das economias emergentes.

O artigo de Henry Kissinger no Wall Street Journal do dia 3 de abril de 2020 exemplifica este chamado à cooperação internacional. A pandemia, argumenta Kissinger, promove um anacronismo: o reaparecimento do conceito de cidade murada, em um mundo onde a prosperidade depende do comércio global e da livre circulação de pessoas. As democracias devem defender e sustentar os valores do iluminismo, um acirramento na disputa milenar entre poder e legitimidade colocaria o mundo em grave perigo.

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