CEBRI - Coleção de artigos / Collection of Policy Papers

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Coleção de artigos / Collection of Policy Papers

25/02/2021

Política Internacional: Reorientações do Multilateralismo / International Politics: Reorientation of Multilateralism

em parceria com a  Fundação Konrad Adenauer / in partnership with the Konrad Adenauer Foundation

 

Desafios para a construção de um sistema multilateral de comércio no século XXl

 

A pandemia da Covid-19 intensificou o debate sobre o tema da cooperação e governança da economia mundial criada no pós- Segunda Guerra e institucionalizada por meio de organismos internacionais guiados pelo princípio multilateral.

Como aponta Lia Valls, “As motivações subjacentes aos princípios norteadores na constituição do multilateralismo na governança do comércio mundial ajudam a entender o seu histórico posterior e suas crises.”

Este Policy Paper faz uma análise da governança do comércio mundial entre 1950/2000, buscando explicar a crise em que o sistema multilateral de comércio está inserido desde o final dos anos 1990. Para uma ampla compreensão do multilateralismo do século XXI e dos atuais debates sobre a reforma da OMC, vê-se necessária tal retomada histórica, concluindo com propostas de cenários possíveis para o multilateralismo e considerações sobre esse debate para o Brasil.

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Challenges for building a multilateral trading system in the 21st century

 

The Covid-19 pandemic intensified the debate around the cooperation and governance of the world economy created after World War II, institutionalized through international organizations guided by the multilateral principle.

As Lia Valls points out, “The underlying motivations of the guiding principles in the constitution of multilateralism in the governance of global trade help understand its later history and its crises."

This Policy Paper provides an analysis of world trade governance between 1950/2000, seeking to explain the crisis in which the multilateral trading system has been embedded since the late 1990s. For a broad understanding of twenty-first century multilateralism and the current debates on WTO reform, such a historical review is necessary, concluding with proposals of possible scenarios for multilateralism and considerations on this debate for Brazil.

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Geopolítica e Economia da Inovação

 

A revolução tecno-econômica ocasionada pelo surgimento e difusão generalizada das tecnologias de informação e comunicação é uma realidade em todos os níveis da sociedade: desde indivíduos, passando por empresas, até Estados-nação. Dessa forma, a importância das tecnologias para o desenvolvimento das economias nacionais é um fato que até mesmo os economistas neoclássicos passaram a aceitar, após um período inicial em que a mudança técnica era ignorada em seus modelos, nos quais somente o trabalho e o “capital” (genérico) eram vistos como fontes de crescimento econômico. Hoje sabemos que o progresso tecnológico é a chave para o crescimento econômico e o desenvolvimento e, sendo assim, cada vez mais países estão investindo em P&D (pesquisa e desenvolvimento).

Como aponta Caetano Penna, "a competição entre Estados e as questões de poder são a raiz de tais ações (de investimento em P&D)- e não motivações puramente econômicas, como a busca por rendimentos financeiros ou participações de mercado.”

Este Policy Paper busca ressaltar a importância das motivações geopolíticas como causas subjacentes do desenvolvimento tecnológico, analisando a combinação da geopolítica clássica e da economia internacional. Além disso, analisa-se a competição, cada vez mais aberta, entre EUA e China nestes âmbitos, como a pandemia da Covid-19 como ampliou as tendências atuais, a implicação para o Brasil e outras economias emergentes, assim como as consequências geopolíticas de inovações disruptivas.

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Geopolitics and the Economics of Innovation

 

The techno-economic revolution brought about by the emergence and widespread diffusion of information and communication technologies is a reality at all levels of society: from individuals, through firms, to nation-states. Thus, the importance of technologies for the development of national economies is a fact that even neoclassical economists have come to accept, after an initial period in which technical change was left outside their models, in which only labor and (generic) "capital" were seen as sources of economic growth. Today we know that technological progress is the key to economic growth and development and, as such, more and more countries are investing in R&D (research and development).

As Caetano Penna points out, "competition among states and power issues are the root of such actions (R&D investment) - not purely economic motivations, such as pursuit of economic rents or market shares."

This Policy Paper seeks to highlight the importance of geopolitical motivations as underlying causes of technological development by analyzing the combination of classical geopolitics and international economics. In addition, the increasingly open competition between the U.S. and China in these areas is analyzed, how the Covid-19 pandemic has amplified current trends, the implication for Brazil and other emerging economies, as well as the geopolitical consequences of disruptive innovations.

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Reordenamento Global e Crise do Multilateralismo

 

A pandemia da Covid-19 trouxe, em conjunto com a crise sanitária, inúmeros desafios sociais, econômicos, políticos e institucionais. No centro da turbulência, estava a Organização Mundial da Saúde (OMS), que sofreu críticas pela incapacidade de agir no controle da pandemia, em decorrência da sua natureza burocrática, capacidade de resposta lenta, deficiências financeiras e descompassos entre a equipe política e o corpo técnico. A Organização se tornou uma das expressões do confronto político-diplomático entre Estados Unidos e  China, sintetizando a crise multilateral mais ampla, marcada pela perda de legitimidade da ordem liberal do pós-Segunda Guerra, pelo unilateralismo praticado pelo governo Trump e pela emergência da atuação internacional da China nas organizações internacionais, que não se enquadram no padrão ocidental.

Maria Regina Soares de Lima e Marianna Albuquerque partem da premissa de que “a origem das inúmeras contestações que as organizações multilaterais sofrem está relacionada à falta de legitimidade decorrente da inadequação do arcabouço institucional liberal-ocidental do pós-Segunda Guerra a um novo mundo, com novos polos de poder e maior diversidade identitária e ideológica.”

Este Policy Paper busca apontar possíveis diagnósticos para a crise do multilateralismo. Além disso, serão introduzidas experiências regionais que apontam estratégias diversas para a ação coletiva e apresentados alguns possíveis cenários e desafios futuros para o reordenamento global.

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Global Reorganization and the Crisis of Multilateralism

 

The Covid-19 pandemic brought, along with the health crisis, numerous social, economic, political, and institutional challenges. At the center of the turmoil was the World Health Organization (WHO), which was criticized for its inability to act to control the pandemic due to its bureaucratic nature, slow response capacity, financial deficiencies, and disagreements between political and technical staff. The Organization has become one of the expressions of the political-diplomatic confrontation between the United States and China, synthesizing the broader multilateral crisis, marked by the loss of legitimacy of the post-World War II liberal order, the unilateralism practiced by the Trump administration, and the emergence of China's international performance in international organizations, which do not fit the Western pattern.

Maria Regina Soares de Lima and Marianna Albuquerque start from the premise that "the origin of the numerous contestations that multilateral organizations suffer is related to the lack of legitimacy arising from the inadequacy of the post-World War II liberal-Western institutional framework to a new world, with new power poles and greater identity and ideological diversity."

This Policy Paper seeks to point out possible diagnoses for the crisis of multilateralism. In addition, regional experiences that point to diverse strategies for collective action will be introduced, and some possible future scenarios and challenges for global reordering will be presented.

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Os tempos, eles estão mudando: Perspectivas para a agenda de desenvolvimento sustentável no Brasil

 

Não existe uma rota única para o mundo do desenvolvimento. As tensões entre caminhos plurais e a necessidade de uma fórmula convergente estão presentes em todos os debates. Existem vários cenários emergindo a partir da erosão do grande pacto pós-Segunda Guerra Mundial e não há uma trajetória óbvia em progresso para qualquer grande nação. A contundência da Mudança Climática redefiniu as prioridades em todos os níveis. A sustentabilidade não é mais monopólio da comunidade ativista por políticas ambientalistas – a era da “pregação aos convertidos” acabou. Economia, energia, meio ambiente, transformação digital, inclusão social, ação climática e outras dimensões da vida social se misturam em um mundo cada vez mais complexo e fragmentado. O presente precisa de um profundo questionamento – e ação – caso os atuais protagonistas da agenda do desenvolvimento sustentável se sintam compelidos a agir para reformulá-la.

Francisco Gaetani e Izabella Teixeira apontam que "a geopolítica está mudando – novos países estão surgindo na arena global. A equação da energia está mudando de fontes fósseis – caras, sujas e cartelizadas – para fontes não fósseis mais baratas, mais limpas e abertas. Pessoas e sociedades não estão mais em silêncio e a mudança virá deles, não de governos tecnocráticos de baixa representatividade ou de instituições multilaterais.”

Este Policy Paper analisa o sistema multilateral na conjuntura crítica atual, argumentando que a ordem global precisa de uma revisão se aqueles que apoiam o multilateralismo quiserem evitar outro terremoto institucional no futuro. Os conceitos de governança sem governo, de capacidade institucional,  resiliência e soft power são discutidos nesta publicação. 

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The times they are a-changing: perpectives of the Brazilina Sustainable Development agenda

 

There is no unique route for the development world.  The tensions between plural paths and the need for a convergent formula are present in all debates. There are multiple scenarios emerging from the erosion of the great post-World War II pact, and there is no obvious path forward for any major nation. The Climate Change imperative redefined priorities at all levels. Sustainability is no longer the monopoly of the environmental policy activist community - the era of "preaching for the converted" is over. Economy, energy, environment, digital transformation, social inclusion, climate action, and other dimensions of social life are all mixed in an increasingly complex and fragmented world. The present needs deep questioning - and action - if the current protagonists of the sustainable development agenda are to feel compelled to act to reshape it.

Francisco Gaetani and Izabella Teixeira point out that "Geopolitics is changing – new countries are emerging at the global arena. The energy equation is moving from fossils – expensive, dirty and cartelized - to non-fossils sources – cheaper, cleaner and open. People, societies are much more vocal. Change will come from them, not from technocratic poorly representative governments and multilateral institutions."

This Policy Paper analyzes the multilateral system at the current critical juncture, arguing that the global order needs a review if those who support multilateralism are to avoid another institutional earthquake in the future. The concepts of governance without government, institutional capacity, resilience, and soft power are discussed in this publication.

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Multilateralismo em tempos de incerteza: implicações para o Brasil

 

Em 2020, a Covid-19 deu ênfase a contradições e vulnerabilidades preexistentes nos sistemas sociais nacionais e no cenário internacional já atravessado por incertezas e riscos de ordem econômica, financeira, ambiental, energética, social, política e militar. A reconstrução política do multilateralismo global, inclusive para fins de preparação das organizações internacionais, dos Estados e das sociedades a darem respostas efetivas a futuras crises (ambientais, climáticas, sanitárias, financeiras, etc.), pressupõe confrontar-se, em primeiro lugar, com a atual crise da democracia no âmbito político doméstico de muitos países do Ocidente e do Sul; em segundo, implica lidar com a necessária redefinição das relações entre natureza, sociedade, Estado e mercado na implementação de políticas públicas de desenvolvimento sustentável nos âmbitos nacional e internacional.

Como aponta Carlos Milani, “O vírus sozinho não distinguiu entre indivíduos, grupos, classes e nações, mas desigualdades socioeconômicas, diferenças culturais e comportamentais, bem como capacidades estatais preexistentes fizeram com que o vírus tenha gerado efeitos diferenciados.”

Esta publicação, a última de uma série de cinco Policy Papers, resume as incertezas presentes no cenário internacional à quatro macro fenômenos que, associados entre si, refletem os principais realinhamentos centrais atualmente em curso na ordem global e que desafiam a capacidade de adaptação e de inovação dos organismos multilaterais: As disputas hegemônicas entre EUA e China; Comércio, tecnologia e finanças na economia política internacional; A crise das democracias no centro e na periferia do sistema internacional; e o antropoceno, a emergência climática e a pandemia da Covid-19. Além disso, aborda-se as implicações do desenvolvimento desses quatro macro fenômenos para a inserção internacional do Brasil.

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Multilateralism in times of uncertainty: implications for Brazil

 

Covid-19 emphasized pre-existing contradictions and vulnerabilities in national social systems and in the international scenario already affected by economic, financial, environmental, energy, social, political and military uncertainties and risks. The political reconstruction of global multilateralism, including for the purpose of preparing international organizations, States and societies to provide effective responses to future crises (environmental, climate, health, financial, etc.), presupposes to firstly confront the current crisis of democracy in the domestic political sphere of many countries in the West and South; secondly, it implies dealing with the necessary redefinition of the relationships between nature, society, the State and the market in the implementation of public policies for sustainable development at the national and international levels.

As Carlos Milani points out, “The virus did not distinguish between individuals, groups, social classes and nations, but socioeconomic inequalities, cultural and behavioral differences, as well as pre-existing state capacities caused the virus to generate different effects.

This publication, the last of a series of five Policy Papers, summarizes the uncertainties present in the international scenario to four macro phenomena that, associated with each other, reflect the main central realignments currently underway in the global order and that challenge the ability of multilateral organizations to adapt and innovate. They are: The US-China hegemonic disputes; Trade, technology and finance in the international political economy; The crisis of democracies at the center and on the periphery of the international system and; The Anthropocene, the climate emergency and the Covid-19 pandemic. In addition, the implications of the development of these four macro phenomena for Brazil's international insertion are addressed.

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Centro Brasileiro de Relações Internacionais